Quinta-feira, 4 de Fevereiro, 2016

Entrevista ao Rui Costa em exclusivo


É para nós um grande prazer poder entrevistar este grande atleta que todos os dias é dos poucos que representam a nossa nação na estrada em terras estrangeiras. É ele Rui Costa, ciclista da Caisse d’Epargne, que está este ano a fazer o seu segundo ano como profissional emigrante, e que aceitou responder a algumas perguntas sobre a sua carreira e sobre o Tour, a segunda edição que Rui Costa está a participar. Se é um fã tão grande do Rui como nós somos, porque não o segue no Facebook e não adere ao seu clube de fãs aqui

WebCiclismo: Olá Rui, antes de mais obrigado por teres aceite o nosso convite para esta entrevista. É sempre um grande prazer ter connosco um grande campeão português como és.
Rui Costa: Eu é que agradeço o Convite por parte da WebCiclismo.

WC: Estás neste momento a correr o Tour. Como te sentes? Tens algum objectivo específico em mente?
RC:
Sinto-me bem, um pouco fatigado, mas é normal. O meu objectivo desde o inicio deste Tour é terminar o Tour sem qualquer queda e ajudar o nosso líder, Luis León Sanchez, a obter uma boa classificação na Geral.

WC: Qual a tua opinião sobre a polémica que ocorreu na segunda etapa, onde o pelotão esperou pelos ciclistas caídos num acto de solidariedade (supostamente)?
RC:
Apesar de terem acontecido algumas quedas fora do normal, eu não concordo com o facto de se esperar pelos atrasados. Existem dias azarados, o ciclismo é mesmo assim. No dia seguinte também houveram quedas e ninguém esperou por ninguém, não achei isso justo… Ou espera-se sempre, ou simplesmente não se espera.

WC: O traçado do Tour deste ano agradou-te ou desagradou-te em alguma coisa em particular (relativamente ao pavé, por exemplo)?
RC:
Por mais que seja uma etapa de espectáculo para quem assiste, quem sofre ali somos nós. Os pavés são muito perigosos, e acho que não deviam fazer parte de uma corrida com tanta grandeza como esta.

WC: Falando de ti, como te classificas como ciclista, e qual a situação de corrida que te sentes melhor?
RC:
Sempre me classificaram como um ciclista completo. Consigo adaptar-me relativamente bem a qualquer tipo de percurso, embora me sinta mais confortável a correr em média montanha.

WC: Sendo este o teu segundo ano como emigrante, que diferenças encontras para o ano passado?
RC:
Sem duvida alguma que a principal diferença em relação ao ano passado foi o facto de este ano ter sido apresentado como um dos cinco líderes da Caisse para esta temporada. Também o facto de ter novos colegas. De resto, continua tudo igual.

WC: Das 9 vitórias oficiais da Caisse nesta temporada, 1/3 são tuas. É óbvio que a tua temporada está em alta. Como classificas esta temporada relativamente às outras?
RC:
É sempre um prazer ajudar a nossa equipa a chegar mais longe. Mesmo assim, considero que esta temporada é ainda uma temporada de aprendizagem, embora já noto em mim alguma evolução em relação à época transacta, principalmente desde que vim para o escalão ProTour. Quero continuar sempre assim, a melhorar ano após ano.

WC: Em relação ao “caso Valverde”, qual é a tua posição sobre o que aconteceu?
RC:
Eu sou da opinião de que quem faz asneira deve ser castigado, seja ele quem for. No entanto, no caso do Valverde ele foi punido sem ficar nada provado em concreto e acho que foi injusto.

WC: Foste atropelado enquanto treinavas, sendo forçado a faltar ao Tour de Picardie. Sentes-te seguro ao treinar na estrada em Portugal? Algum comentário em particular à situação?
RC:
Eu acredito que tenha sido um acidente, e quero pensar que assim o foi, só não compreendo a atitude do condutor que não parou para prestar auxílio… Gostava de pedir a todos os condutores que respeitem mais os ciclistas, como nós os respeitamos. Simplesmente estamos a fazer o nosso trabalho.

WC: E então, qual é o teu favorito à vitória do Tour?
RC:
É claro que eu gostaria que o vencedor fosse o nosso líder, Luis León Sanchez, mas como tenho consciência que isso é muito pouco provável, acredito que a camisola amarela pertencerá ao Alberto Contador.

WC: Uma pergunta um pouco diferente: Será que nos podes resumir como é, mais ou menos, o dia a dia de um ciclista profissional a correr numa equipa ProTour?
RC:
Bom, quando estamos em competição, o nosso dia passa a correr: Acordamos com o médico da equipa que nos vem pesar, mediar a tensão e pulsação. Depois vamos tomar o pequeno-almoço (à base de hidratos de carbono, normalmente massa). Vimos de seguida para o quarto, arrumamos a mala, preparamos o equipamento, dorsal, e vamos para o autocarro. Já pelo caminho recebemos a táctica da equipa para a corrida e vamo-nos mentalizando e concentrando para mais uma competição. Quando chegamos ao local da partida equipamo-nos e, meia hora antes da corrida, saímos para assinar o livro do ponto e fazer um ligeiro aquecimento. Passada a etapa, vimos para o autocarro, tomamos a nosso tão merecido duche (se o hotel for perto esperemos para tomarmos lá). Depois comemos qualquer coisa para enganar o estômago até à hora de jantar, e vamos à nossa parte favorita do dia: a massagem. No final do jantar regressamos aos quartos e tentamos descansar o máximo possível para no dia seguinte estarmos bem e recomeçar todo este percurso novamente.

WC: Realmente é um dia-a-dia puxado, mas de certeza que dá muito prazer. Agora para finalizar, umas perguntas menos relacionadas com o Tour. Gostaste de correr pelo Benfica?
RC:
Sim, gostei mesmo muito. O Benfica foi uma das equipas que melhor me acolheu, e foi também a última equipa em que estive com o meu irmão (Mário Costa da Barbot). Tenho saudades dessa altura. Passamos ali bons momentos.

WC: E recomendações a jovens aspirantes a ciclistas?
RC:
Antes de mais, têm de se filiar num clube onde possam ser acompanhados e treinados. Depois verão que, a ambição aliada ao trabalho, dará os seus frutos não tarda. É preciso também aprender desde cedo a trabalhar em equipa. Pratiquem ciclismo de forma leal, pois o futuro do ciclismo depende do que vocês fizerem dele.

WC: E para terminar, não posso deixar de perguntar, o que achas do nosso site.
RC:
Já tive a oportunidade de visitar varias vezes e adorei. Fazem um excelente trabalho em prol desta modalidade que é muitas vezes esquecida. Ah, tenho ouvido que acompanham sempre as competições e dão informações muito úteis para uma melhor compreensão da corrida em si. Obrigado à WebCiclismo pelo excelente trabalho que desempenha.

WC: Obrigado eu, Rui, e até um dia! Bom Tour!
RC:
Obrigado à WebCiclismo e a todos os que me apoiam a mim e ao Ciclismo no geral.

Sobre a agressão que aconteceu na sexta etapa, visto que a situação se encontra resolvida e já foi esclarecida, não foi feita nenhuma pergunta sobre o sucedido. No facebook do clube de fãs do Rui a situação foi esclarecida, pelo se quiser ler as declarações do Rui, basta aceder à pagina aqui.

Os nossos sinceros agradecimentos ao ciclista, e desejamos tudo de bom para o que falta no Tour.

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