Sábado, 15 de Outubro, 2016

Fabian Cancellara faz história em Flandres



Foi hoje, na importantíssima clássica da Volta a Flandres, que Fabian Cancellara (SaxoBank) fez história dando a primeira vitória à Suíça desde 1923. O campeão do mundo de contra relógio conseguiu escapar de Tom Boonen (Quick Step) quando faltavam vinte quilómetros para a meta, fazendo a partir de ai o que faz melhor: um autêntico contra relógio que lhe deu a vitória com uns confortáveis 1m13s de vantagem. O pódio foi liderado por belgas, com Tom Boonen a preencher a segunda posição e Philippe Gilbert (Omega Pharma-Lotto) a conseguir a terceira posição a 2m20s do campeão Suíço.



Foi a terceira grande vitória para o campeão suíço, sendo a primeira no Paris-Roubaix em 2006, ano que ficou em 6º na Volta a Flandres, e em 2008 conseguiu a vitória de Milan-San Remo. Cancellara festejou esta grande vitória com calma e ainda conseguiu apanhar uma bandeira da suíça dada por um fã que o campeão acenou com um sorriso estampado na cara.

Os primeiros ataques começaram logo no inicio da corrida. Os primeiros cinco fugitivos foram Michele Merlo, Nicolas Rousseau, Joost van Leijen, Floris Goesinnen e o veterano José Vicente Garcia Acosta. Após meia hora de corrida o grupo já tinha uma vantagem de mais de um minuto para o pelotão. Foi então que três ciclistas, Olivier Bonnaire, Mikhail Ignatiev e David Boucher, fugiram do pelotão em perseguição ao grupo da frente. Poucos quilómetros mais á frente os três perseguidores conseguiram unir-se aos fugitivos na frente passando a ser um grupo de 8 homens.

A fuga consegui uma vantagem de 10 minutos, numa altura em que a Saxo Bank colocou os seus oito ciclistas na frente da corrida a liderar o pelotão. Na primeira subida, a Oude Kwaremont, o pelotão quebrou-se e a vantagem dos líderes desceu dois minutos.

Após esta complicada subida, a frente da corrida já só era constituída por quatro homens: Van Leijen, Garcia Acosta, Goesinnen and Ignatiev. No pelotão, Stuart O’Grady (Saxo Bank), fazia um excelente trabalho com um ritmo estável durante os 2200 metros de estrada curta e empedrada.

No entanto foi na subida para Paterberg, a oitenta quilómetros, que houve a primeira selecção dos possíveis vencedores: Matti Breschel aumentou bastante o ritmo do pelotão obrigando os favoritos a mexerem-se. Apenas nove homens aguentaram: Breschel, Fabian Cancellara, Tom Boonen, Lars Boom, Juan Antonio Flecha, George Hincapie, Steve Chainel, Leif Hoste e Thor Hushovd.

Na frente da corrida, Garcia Acosta cedeu, e os restantes três ciclistas já só tinham uma vantagem de aproximadamente 40 segundos de um “pelotão” de quarenta ciclistas onde Armstrong se incluía.

Foi na próxima subida, a subida de Eikenberg, a 60 quilómetros, que a Team Sky começou a liderar o pelotão eliminando a vantagem para o trio da frente. Foi nesta altura que a Saxo Bank ainda se assustou: Tanto Cancellara como Breschel tiveram de trocar de bicicletas. A troca de Cancellara apenas demorou uns poucos segundo, mas para Breschel foi mais demorado, visto que o mecânico não conseguia encontrar a bicicleta certa, o que comprometeu a corrida do ciclista.

Estava a iniciar-se a ascensão para a subida de Molenberg, a 45 quilómetros, que Cancellara atacou, com resposta a altura de Tom Boonen, que queria a sua terceira vitória nesta prova. Esta jogada foi sem duvida o momento mais importante da corrida.

Boonen e Cancellara rapidamente conseguiram uma vantagem de 15 segundos para o grupo onde estavam inseridos. Philippe Gilbert atacou mas sem sucesso.

À medida que Boonen e Cancellara iam conseguindo uma vantagem de 30 segundos, David Millar (Garmin) atacou mas não conseguiu qualquer proximidade com o duo na frente. Após a subida de Berendries, Gilbert e Leukemans rapidamente fugiram do grupo alcançando David Millar. Apesar de todos os esforços, o trio não conseguiu alcançar o duo.

Faltavam agora 30 quilómetros para a meta e a corrida parecia que iria ser vencida tanto por Cancellara ou por Boonen. Nesta altura os líderes tinham uma vantagem de 52 segundos para os três perseguidores e 1m20s para os outros perseguidores.

No inicio da subida do Muur em Geraardsbergen, a vantagem estava em 43 segundos, mas tudo parecia estar sobre controlo pelos dois ciclistas na frente. No entanto, Cancellara sabia que se chegassem os dois à meta iria ser muito difícil derrotar Boonen no sprint. Foi nessa altura que o grande ataque de Cancellara se sucedeu. No final da subida do Muur, Cancellara já tinha uma vantagem de 10 segundos.

 

A partir daí foi só utilizar as suas grandes qualidades de contra relógio para fazer os restantes 20 quilómetros isolado até à meta, não fosse ele o campeão do mundo de Contra-Relógio. Chegou à linha da meta tinha uma vantagem de um minuto para Boonen. Os festejos do campeão nacional suíço começaram centenas de metros antes da linha, onde ele mostrou o seu amuleto da sorte e agitou a bandeira da suíça que lhe foi dada por um fã no público.

Boonen chegou um minuto depois e também foi bastante aplaudido pelo público belga, desiludido por não ter conseguido a sua terceira vitória nesta prova. Na terceira posição, a 2m10s passou o belga Philippe Gilbert.

Os Portugueses estiveram bastante bem no inicio da prova, no entanto tanto Manuel Cardoso como Rui Costa acabaram por desistir, provavelmente resultado de alguma queda que se viram envolvidos.

Classificação

1 Fabian Cancellara (Swi) Team Saxo Bank 6:25:56
2 Tom Boonen (Bel) Quick Step 0:01:15
3 Philippe Gilbert (Bel) Omega Pharma-Lotto 0:02:11
4 Bjorn Leukemans (Bel) Vacansoleil Pro Cycling Team 0:02:15
5 Tyler Farrar (USA) Garmin – Transitions 0:02:35
6 George Hincapie (USA) BMC Racing Team
7 Roger Hammond (GBr) Cervelo Test Team
8 Maxim Iglinsky (Kaz) Astana
9 Danilo Hondo (Ger) Lampre-Farnese Vini
10 William Bonnet (Fra) Bbox Bouygues Telecom

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