Domingo, 9 de Outubro, 2016

Cancellara conquista Paris – Roubaix e faz dobradinha



O ciclista suíço Fabian Cancellara, da Saxo Bank, venceu hoje a mais importante clássica, o Paris-Roubaix sendo a segunda vitória na sua carreira. O ciclista conseguiu assim a dobradinha da vitória do Tour de Flandres e do Paris – Roubaix no mesmo ano, um feito apenas conseguido dez vezes até à data, sendo o último em 2005 pelo seu grande rival, Tom Boonen (Quick-Step). O campeão nacional suíço e campeão mundial de contra-relógio provou que a inteligência é algo crucial para vencer, aproveitando um momento de distracção de Boonen para efectuar o ataque fatal que lhe deu a vitória.



O “Inferno do Norte” é a mais importante e dura clássica do calendário de ciclismo profissional. A prova este ano contou com 259 quilómetros a ligar Compiégne, em Paris, e Roubaix, já na Bélgica. Tal como é tradição a etapa terminou no velódromo de Roubaix, onde Cancellara chegou isolado com quase três minutos de vantagem para os seus perseguidores. Para além da dificuldade da alta quilometragem, os ciclistas tiveram pela frente vinte e sete sectores de paralelos, sendo o mais pequeno de apenas 200 metros e o maior de 3700 metros, num total de 52,9 quilómetros de “pavé”. Os sectores são classificados de uma a cinco estrelas, consoante o nível de dificuldade.

Esta magnífica clássica contou logo desde inicio com uma fuga de 19 homens que seguiram isolados durante quase toda a corrida, sendo apanhados na última centena de quilómetros. Se há corrida mais imprevisível é o Paris – Roubaix, que a qualquer momento um ciclista pode seguir na frente como no momento seguinte pode ter uma avaria mecânica que o impede de continuar. Provavelmente, devido a isso é difícil enumerar favoritos, mas sem dúvida esperava-se um confronto directo entre Tom Boonen, que poderia conquistar aqui o seu quarto título nesta corrida, e Fabian Cancellara que poderia conquistar a segunda vitória e ainda juntar-se ao restrito grupo de 10 homens que conseguiram vencer as duas clássicas: O Tour de Flandres e o Paris – Roubaix.

 

Mais uma vez, Cancellara provou que a inteligência em corrida é tão importante como a forma física. Numa altura crucial da corrida, a 50 quilómetros da meta, estavam os ciclistas em aproximação do sector 10, que Tom Boonen decidiu ir reabastecer. À passagem por esse sector, o grupo onde Boonen e Cancellara estavam sofreu uma pequena quebra, deixando Boonen na parte de trás. Cancellara apercebeu-se da situação, e atacou sem receber resposta de ninguém. Quando o campeão nacional belga se apercebeu da situação era tarde de mais, e ninguém no grupo parecia disposto a colaborar na perseguição. 

 

Cancellara rapidamente conseguiu uma vantagem de alguns segundos para o grupo de Boonen, e conseguiu alcançar um resto do antigo grupo de 19 homens. Já eram só quatro e bastou um aumento de ritmo para Cancellara se separar deles. A partir daí, foi uma espécie de dejá vú do Tour de Flandres: O ciclista da Saxo Bank iniciou um autêntico contra relógio onde conseguiu uma vantagem de 3 minutos e assim a manteve até à meta.

 

Juan Antonio Flecha (Sky) ainda tentou a sorte. Os espanhóis, provavelmente o país com melhores resultados no ciclismo actualmente nunca conseguiu conquistar um Paris – Roubaix, e o único homem capaz, actualmente, de dar essa vitória aos espanhóis é Flecha. Apesar de tarde de mais, Flecha atacou e levou consigo Thor Hushovd (Cervelo Test Team).

Chegada ao último sector, a um quilómetro da meta, Cancellara voltou a mostrar o seu talismã da sorte, um pequeno anjo de ouro, provavelmente uma oferta da sua filha. Após o sector de paralelo, veio o velódromo de Roubaix onde “Spartacus”, nome como é conhecido no pelotão internacional, deu a volta e meia com bastante tranquilidade e a festejar e agradecer pela vitória.

 

Dois minutos depois, chegou Flecha e Hushovd. Tal como seria de prever, Flecha não conseguiu separar-se de Hushovd e foi vencido ao sprint. Nota para um bater de palmas irónico de Flecha, que “agradecia” o facto de o sprinter da Cervelo não lhe ter deixado ficar com a segunda posição, visto que foi o espanhol que trabalhou durante toda a perseguição a Cancellara.

O “pelotão”, ou melhor, o grupo com mais homens, apenas cruzou a meta sete minutos e cinco segundos depois do campeão suíço. Nesta prova alinharam à volta de 200 ciclistas, e apenas terminaram 74. O português Rui Costa, não conseguiu terminar a prova.

 

Classificações

1 Fabian Cancellara (Swi) Team Saxo Bank 6:35:10
2 Thor Hushovd (Nor) Cervelo Test Team 0:02:00
3 Juan Antonio Flecha Giannoni (Spa) Sky Professional Cycling Team
4 Roger Hammond (GBr) Cervelo Test Team 0:03:14
5 Tom Boonen (Bel) Quick Step
6 Björn Leukemans (Bel) Vacansoleil Pro Cycling Team 0:03:20
7 Filippo Pozzato (Ita) Team Katusha 0:03:46
8 Leif Hoste (Bel) Omega Pharma-Lotto 0:05:16
9 Sébastien Hinault (Fra) Ag2R La Mondiale 0:06:27
10 Hayden Roulston (NZl) Team HTC – Columbia 0:06:59

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